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Chuvas deixam 117 mortos na Europa e disparam alerta contra mudanças climáticas

Cerca de 1.300 pessoas ainda estão desaparecidas

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Divulgação

O número de pessoas que morreram em decorrência das enchentes na Alemanha subiu para 103 nesta sexta-feira (16), segundo o último levantamento divulgado pelas autoridades. A chuva sem precedentes – que também atinge países vizinhos e provocou 14 mortes na Bélgica– dispara um alerta sobre a ocorrência de eventos naturais extremos como consequência das mudanças climáticas.

Cerca de 1.300 pessoas ainda estão desaparecidas, mas existe a possibilidade de que grande parte desse número se refira a moradores que estão apenas incomunicáveis devido às quedas de energia e aos danos causados às redes de telecomunicação.

Ainda assim, à medida em que equipes de resgate –que receberam um reforço de 700 soldados do Exército alemão, trabalham nas regiões mais afetadas– o número total de mortes deve aumentar.

Comunidades inteiras ficaram em ruínas depois que vários rios transbordaram e invadiram cidades e vilas nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, além de em países vizinhos, como Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

"As pessoas acenavam pelas janelas. Foi tão terrível que não podemos ajudar ninguém", disse Frank Thel, morador de Schuld, onde dezenas de casas foram reduzidas a pilhas de escombros, à agências de notícias Reuters.

Na cidade de Sinzig, ao sul de Colônia, 12 residentes em um lar para pessoas com deficiência morreram ao serem surpreendidos pelas inundações durante à noite.

"Nosso estado está passando por uma catástrofe de enchentes de dimensões históricas", disse o premiê da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, candidato à sucessão da primeira-ministra alemã, Angela Merkel. Nesta quinta-feira (15), durante visitas a várias cidades afetadas, Laschet culpou o aquecimento global pelos eventos extremos e reiterou a importância de medidas que possam frear as mudanças climáticas.

Em Erftsdadt, embora mais construções tenham desabado na manhã desta sexta, parte dos moradores que haviam sido evacuados voltou às suas casas. Assim, as autoridades não conseguem determinar com clareza quem está em risco e quem está em segurança, de modo que a expectativa é que haja mais mortes.

Equipes de resgate usam barcos para tentam alcançar moradores ilhados, já que as estradas ao redor da cidade estão intransitáveis por terem sido arrastadas pelas enchentes. Segundo um porta-voz do distrito, ao menos 15 pessoas ainda estavam presas em suas casas.

"A rede entrou em colapso. A infraestrutura entrou em colapso. Os hospitais não podem receber ninguém. Os lares de idosos tiveram que ser evacuados", disse uma representante do governo regional de Colônia.

Perto da fronteira alemã com a Bélgica, uma barragem transbordou e outra precisou ser estabilizada devido ao volume de água muito além do esperado. Cerca de 4.500 pessoas das comunidades ao redor tiveram que deixar suas casas temendo um rompimento das barragens.

Na província de Limburg, na Holanda, outros milhares de moradores também foram obrigados a deixar suas casas devido às inundações. Os serviços de emergência holandeses estavam em alerta máximo, e as autoridades também determinaram que diques sejam reforçados para ampliar a capacidade de contenção das águas.

Na Bélgica, além das 14 mortes confirmadas, há pelo menos quatro desaparecidos. Autoridades de gerenciamento de crises aconselharam que os belgas, principalmente os que moram no sul e no leste do país, não deixem suas casas.

"As águas estão subindo cada vez mais, é assustador", disse Thierry Bourgeois, 52, morador da cidade de Liege, à Reuters. "Eu nunca vi nada parecido."

Em Maaseik, perto da fronteira com a Holanda, o rio Mosa ultrapassou o muro de contenção e uma barreira formada por sacos de areia em suas margens. Várias cidades e vilas ao longo de seu curso foram inundadas e, em Pepinster, mais de dez casas desabaram total ou parcialmente.

As mortes provocadas pelas inundações na Alemanha configuram a maior catástrofe natural do país desde uma enchente no Mar do Norte, em 1962, que matou cerca de 340 pessoas.

Quando o rio Elba transbordou em 2002, a imprensa classificou o cenário de "inundações que acontecem uma vez por século". Na ocasião, 21 pessoas morreram no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a Europa central.

A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a escala e a intensidade das enchentes são uma indicação clara das mudanças climáticas e demonstram a necessidade urgente de ação.

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