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O PLANETA ÁGUA

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Volta e meia temos expectativas e previsões que o mundo vai acabar cada vez mais cedo. Ligar a TV e dar de cara com uma notícia sobre enchentes virou algo corriqueiro. Infelizmente, todo o ano é a mesma coisa. As regiões metropolitanas das grandes cidades enfrentam as enchentes que desabrigam milhares de pessoas, além de ferir e até matar outras tantas

Os noticiários são tomados por problemas relacionados com a elevação dos cursos d´água e a inundação de casas e ruas, desencadeando uma série de tragédias que, quase sempre, poderia ser evitada. Por exemplo, em diversos países as chuvas intensas e sem aviso prévio tem causado danos irreparáveis economicamente e mais mortes se somam. O problema passou a ser algo comum na vida das populações, daqueles mais necessitados que de fato não possuem condições seguras e ideais de moradia, estando a mercê das precárias condições urbanísticas da cidade.

Existem dois fatores que proporcionam a ocorrência das enchentes: os naturais e as antrópicas, pois se trata de um fenômeno comum na natureza, mas que é intensificado pela ação humana, principalmente pela má administração pública. Outro problema que parece não ter uma solução rápida é o elevado índice de poluição, causado tanto pela ausência de consciência da população quanto por sistemas ineficientes de coleta de lixo ou de distribuição de lixeiras pela cidade. Com isso, ocorre o entupimento dos bueiros que seriam responsáveis por conter parte da água que eleva o nível dos rios. Além disso, o lixo gerado é levado pelas enxurradas e contribui ainda mais para elevar o volume das águas

Além do mais, há problemas causados pela poluição gerada por empresas e outros órgãos. O homem moderno desmonta e degrada sistematicamente a Ecosfera, isto é, a grande unidade funcional do Caudal da Vida. Não somente estraga, uma a uma, as peças da engrenagem, mas ainda joga areia no mecanismo, dificultando seu funcionamento e preparando o colapso. A sociedade industrial, com sua sede insaciável de energia, queima combustíveis fósseis em quantidade crescentes tal que, hoje, o consumo anual corresponde à produção natural de mais de um milhão de anos. Com isso, não somente estamos esbanjando um capital irrecuperável, mas já estamos também afetando seriamente a própria natureza da atmosfera.

Enfim, a repetição das calamidades generalizadas provocadas pelas enchentes confirma o que há tanto tempo já se podia prever. Ninguém poderá calcular a verdadeira extensão dos estragos causados pelas inundações. Se hoje estragos são imensos e os mortos se contam às centenas, não tardará o dia em que os flagelados e os mortos totalizarão milhões. Somos incapazes de aprender com nossos erros. Uma pena que as advertências sempre mais dramáticas da Natureza de nada valerão. A Administração Pública não poderia se esquivar de suas responsabilidades. Pelo contrário, por se tratar de bens de interesse público, deve ser a primeira a assumir a responsabilidade por eventuais danos gerados por uma má prestação de serviço público.

Como modificar este cenário? Talvez o Poder Público em sintonia com o serviço de meteorologia, o que seria ótimo. Mas resposta mais correta é conscientização. Tudo tem seu preço, e, quanto maior o abuso, maior será o preço. Devemos compreender que não podemos causar danos apenas locais. Tudo está ligado com tudo.

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