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O nome da morte: "Lucifer" já assumiu ter matado 48 rivais em prisões

Marcos Paulo da Silva, conhecido como Lucífer, fundou facção rival do PCC, o Bonde do Cerol Fininho

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Divulgação

A morte no sistema prisional paulista, o maior berço das facções criminosas do Brasil, tem nome: Marcos Paulo da Silva, 42 anos, conhecido como Lucífer. O preso, diagnosticado com psicose, tem orgulho em dizer que matou 48 inimigos dentro dos presídios estaduais.

Além de assassino contumaz, Lucífer é fundador da "Irmandade de Resgate do Bonde Cerol Fininho". Trata-se de uma das nove facções criminosas violentas criadas no coração do sistema carcerário de São Paulo.

Os integrantes dessa organização têm como missão matar os inimigos, principalmente do PCC (Primeiro Comando da Capital), sendo obrigatório decepar a cabeça e arrancar as vísceras das vítimas.

Depois das execuções também é norma escrever com o sangue dos mortos nas paredes das celas e pátios o nome Cerol Fininho. Essas regras são mencionadas no estatuto do grupo criminoso, escrito pelo próprio Silva.

Segundo a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), o preso é condenado a 217 anos e três meses de reclusão e foi acusado por seis homicídios e ainda por ter ordenado a morte de outros dois detentos, em fevereiro de 2015.

Ele foi preso em 1995, aos 18 anos, por furto e roubo. A longa condenação foi por crimes praticados dentro da prisão, como assassinatos e danos ao patrimônio.

Todos os assassinatos do criminoso foram dentro da prisão

Psicólogos que avaliaram Silva escreveram nos laudos médicos que ele nunca cometeu um assassinato nas ruas. Praticou todos os homicídios no interior do sistema prisional.

Assim que completou um ano na prisão, ainda aos 19 anos, Silva ingressou no Primeiro Comando da Capital. Ele alega que deixou o PCC em meados de 2008 porque a organização "passou a visar apenas o capitalismo, o lucro e abandonou a luta em prol da população carcerária".

"Fui usado pelo PCC para exterminar presos. Mas não me arrependo de matar aquelas pessoas porque a luta era justa. Havia muitos estupradores e ladrões que roubavam presos dentro da cadeia", disse o criminoso em declarações à Justiça. No mesmo depoimento ele afirmou ao juiz que matou 48 presos.

SP, o berço das facções

Em 10 de janeiro de 2009, o presidiário criou em uma unidade prisional do oeste do estado o Bonde do Cerol Fininho. Foi a nona facção criminosa gerada nas prisões paulistas.

As outras facções conhecidas são a Serpente Negra; SS (Seita Satânica); PCC; CDL (Comando Democrático da Liberdade); CRBC (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade); CJVC (Comando Jovem Vermelho da Criminalidade); TCC (Terceiro Comando da Capital) e ADA (Amigos dos Amigos). Nenhum sistema prisional no país foi berço de tantas facções.

Foi dentro da cela que Silva escreveu a caneta o estatuto do Cerol Fininho. Segundo ele, o lema do grupo é "lealdade, justiça, guerra e morte". E o objetivo: "esmagar com mãos fortes os tiranos que usam de suas forças para oprimir os mais fracos, sobretudo PCC, TCC, ADA e SS".

Tatuagem em homenagem ao anjo caído

O prisioneiro ganhou o apelido após tatuar no corpo a inscrição "Lucífer meu protetor". Tatuou ainda outras imagens como tridentes, demônios, caveiras e a suástica, símbolo nazista.

Em 9 de setembro de 2011, Lucífer matou cinco presos na Penitenciária de Serra Azul, em São Paulo. Enquanto matava, ele comemorava e dizia: "Como eu gosto disso. Tem muito pouco. Quero matar mais presos".

Quase quatro anos depois, em fevereiro de 2015, mandou assassinar dois rivais na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau (SP). Por esses dois crimes acabou condenado a 66 anos. Depois dessas mortes, foi internado pela sexta vez em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). Na sua ficha carcerária constam 30 faltas disciplinares graves.

Para os psicólogos do sistema prisional paulista, "a alta periculosidade de Lucífer não é decorrente de doença mental e sim de transtorno de personalidade antissocial".

Silva passou de prisão em prisão, foi ao sistema federal e voltou a SP

Seis anos após a criação do Cerol Fininho, a SAP pediu a remoção de Silva para presídio federal, e ele passou por Porto Velho, Campo Grande e Catanduvas (PR).

Em Catanduvas, o preso se mutilou várias vezes, cortando braços, pernas e a barriga. Os médicos algemaram e acorrentaram o prisioneiro à maca para tratá-lo. Em janeiro de 2018, ele foi mandado de volta para São Paulo, mas retornou a Catanduvas em novembro do mesmo ano.

Agentes penitenciários disseram ao UOL que os presídios federais não quiseram custodiá-lo. Psicólogos de Catanduvas atestaram que ele, tem transtorno de personalidade, psicose e precisa de tratamento de uma equipe multiprofissional especializada e que tais unidades federais não têm a estrutura necessária.

Silva foi mandado novamente para o sistema prisional paulista no dia 31 de julho deste ano e desde então encontra-se na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau — a mesma onde já aterrorizou e sempre foi temido.

"Quando ele chega a um presídio é questão de tempo para matar, decepar, praticar novamente atos de barbárie contra presos, visitantes e servidores. Ele não pode ficar aqui ao Deus dará. Necessita de tratamento urgente", desabafou ao UOL um agente penitenciário da P1 de Venceslau.

O UOL perguntou à SAP quantas facções criminosas foram criadas no sistema prisional paulista; quantos adeptos têm o Cerol Fininho e que providências foram tomadas para evitar mortes nas prisões comandadas por Silva. A resposta da pasta foi que não fornece dados de inteligência.

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